Madeiras Brasileiras

De início, as peças produzidas por Cláudio no torno transformaram-se em presentes para os amigos, mas o incentivo desses e dos mestres o levou à criação de novas peças, utilizando um elemento que é o grande diferencial da Oficina Ipê: A MADEIRA BRASILEIRA. Numa garagem sem uso em Itaipava-Petrópolis-RJ, foram instalados os primeiros maquinários e o primeiro torno, dando vida à Oficina Ipê.
A Tornearia é uma técnica que precisa conviver com inspiração, criatividade e concentração. Por ser um trabalho feito sob medida e em pequena escala, a qualidade é item essencial na arte produzida na Oficina Ipê. Cada peça é exclusiva e concebida a partir do conhecimento do cliente, fonte de inspiração na hora de decidir a madeira, o design e o acabamento.
Hoje, o catálogo da Oficina Ipê é composto, basicamente, de trabalhos em tornearia, tendo como destaque a linha de canetas e lapiseiras feitas com a utilização de madeiras provenientes de árvores que morrem naturalmente ou que são derrubadas por motivos emergenciais, além de madeiras de demolição e aparas da fabricação de móveis.
amarelao
(Euxylophora paraensis Huber)
Também chamada de pau-amarelo, limãorana, muiratanã ou pau-cetim.
Tem origem na região Norte, principalmente no Pará. O tronco é retilíneo e o cerne indistinto de cor amarela. Madeira moderadamente dura, difícil de aplainar, mas é trabalhada com facilidade na lixa, no torno e na broca.
angelim

(Vatairea heteroptera Ducke)
Madeira pesada e dura, tem o cerne de cor castanho-amarelado quando recém polido, escurecendo para castanho escuro-amarelado com a exposição ao ar. Tem textura grossa e aspecto fibroso acentuado.

(Pithecelobium racemosum Ducke)
Também conhecida como ingarana da terra firme, urubuzeiro ou ingá-caititu. Habita toda a Amazônia até as Guianas e Suriname. Madeira amarela com listas irregulares escuras e aparência de mármore. Textura média a grossa, fácil de trabalhar, tem superfície lisa e lustrosa de ótimo acabamento.

angico

(Anandenanthera peregrina)
Originária da caatinga, aparece em outras áreas do Maranhão ao Paraná. Recebe outros nomes como paricá, angico-de-curtume ou angico-do-morro. Espécie pioneira de grande porte, pode atingir 22 metros de altura. Madeira pesada, de boa resistência e muito durável. Tem textura média, cerne castanho, com reflexos dourados e manchas largas quase pretas.

balsamo

(Cotyledon orbiculata L.)
Conhecida como pau-de-bálsamo, cabraiba ou óleo vermelho. Encontrada na América Tropical , África do Sul e Ásia, o bálsamo é uma árvore de casca grossa e de propriedades medicinais. Madeira dura ao corte, possui cerne castanho-avermelhado, densidade alta, textura média e superfície irregularmente lustrosa.

canela

(Cinnamomum)
Originária do Ceilão, da Birmânia e da Índia, é conhecida desde 2500 a.C. No Brasil pode ser encontrada nos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Considerada símbolo da sabedoria, foi usada na antiguidade para aromatizar vinho. Madeira moderadamente pesada, fácil de trabalhar, superfície irregularmente lustrosa e pouco áspera.

cedro

(Cedrela fissilis)
Espécie de grande porte, pode atingir 35 metros de altura. Madeira moderadamente pesada, macia ao corte e durável em ambiente seco. O cedro é uma árvore do oriente, conhecida desde a antiguidade. É utilizada para paisagismo urbano e recomposição de reflorestamentos de áreas degradadas.

cerejeira

(Amburana cearensis)
É uma das mais belas árvores na época de floração. O cerne é castanho-amarelado-claro, às vezes com estrias mais escuras. Apresenta densidade e textura médias e aspecto fibroso atenuado. A cerejeira tem porte intermediário e floração intensa.

cumaru

(Dipteryx odorata)
Encontrada Amazônia, Cerrado e Pantanal, tem o cerne castanho-claro-amarelado e brilho moderado. Densidade alta, dura ao corte, difícil de ser trabalhada, mas de excelente acabamento no torno. Madeira de lei tem cor variável, conforme o solo em que cresce.

eucalipto_vermelho

(Eucalyptus ficifolia)
Esta espécie se encontra no litoral norte Gaúcho. O cerne é pardo, sem brilho, difícil de ser tratado. Apresenta densidade alta e textura fina a média sendo dura ao corte. Tem boas características de aplainamento, lixamento, furação e acabamento.

freijo

(Cordia goeldiana)
Árvore nativa da América do Sul, também chamada de frei-jorge ou louro-freijó. Encontrada na floresta amazônica em regiões de matas altas. Espécie de grande porte com caule reto, cilíndrico, casca fendilhada, escamosa e muito grossa. Cerne castanho-claro-amarelado, pode apresentar manchas e estrias enegrecidas e tem densidade baixa e textura média.

goiabeira

(Psidium guajava)
Também chamada de guava, araça-guaçu, araça-guaiaba ou araçaíba. Possui flores brancas, florescendo a partir do final de setembro, com frutos maduros de dezembro e março. Tronco tortuoso, liso e descamante. É amplamente cultivada tanto em pomares domésticos como em plantações comerciais. É indispensável em plantios para recomposição de áreas degradadas. Apresenta excelente acabamento quando lixada e polida.

gombeira

(Swartzia spp)
Swartzia áptera – também conhecida como pau-preto ou cumbeira. No Brasil é encontrada na nos estados do Pará e Amapá. Muito utilizada na confecção de arcos para instrumentos de corda.
Swartzia leptopetala – também conhecida como coração-de-negro ou piroqueira, é utilizada para fabricação de fundo e lateral de instrumentos de corda.

goncalo_alves

(Astronium fraxinifolium)
Chamada de aratanha, aroeira-do-campo, batão, chibata, guarabú ou ubatã. Árvore rústica, comum em várias regiões do Brasil, tem forma esguia bastante peculiar. Espécie pioneira, muito pesada, compacta, dura e difícil de trabalhar. O cerne apresenta listras negras de formas diversas. A árvore, pelo porte médio e graciosidade de sua copa, é muito útil em paisagismo e na confecção de instrumentos musicais e canetas torneadas.

imbuia

(Ocotea porosa)
Tem ocorrência natural no sul do Brasil, com maior concentração em Santa Catarina. A curiosidade da imbuia é sua associação com a araucária, sendo raro seu cultivo sem pinheiros. A madeira é moderadamente pesada, dura, com coloração de cerne variável e textura média. A trabalhabilidade é uma de suas vantagens, sendo facilmente serrada e com boa aceitação para o manuseio em máquinas.

ipe

(Tabebuia)
É encontrada por todo o Brasil. Há muitos séculos, o ipê vem sendo apreciado tanto pela excelente qualidade de sua madeira, quanto por seus efeitos ornamentais, decorativos e até medicinais. Madeira-de-lei muito valorizada e bela, tem cor castanho-oliva ou castanho-avermelhada, com veios resinosos mais escuros.
As diversas variedades de ipê recebem nomes de acordo com as cores das flores ou madeira. Se destacam, entre as mais de 200 variedades:

  • ipê-amarelo (tecoma longiflora) – MG, RJ, SP, MT e GO.
  • ipê-branco (tecoma Alba) – MG, RJ e PR.
  • ipê-roxo ou ipê-rosa (tecoma heptaphylla) – PI, MG, SP e GO.
  • ipê-do-brejo (tecoma umbellata) – mangues dos rios de MG e SP.

A casca, entrecasca e a folha do ipê são usadas no tratamento de amidalites, estomatites, infecções renais, varizes e certas doenças dos olhos.
Uma curiosidade sobre a espécie: o ipê sempre foi considerado a árvore nacional brasileira. Entretanto, no dia 7 de dezembro de 1978, a lei nº 6507 declarou o pau-brasil (caesalpinia echinata) como a Árvore Nacional. A flor do ipê mantem-se com o status de “flor do símbolo nacional”.

jabuticaba

(Myrciaria cauliflora)
Espontânea em grande parte do Brasil. Árvore de porte médio, piramidal, conhecida há mais de 400 anos, também na Argentina, Paraguai e Uruguai. Possui o tronco liso, em tons que variam do marrom claro ao cinza. Os índios consumiam a jabuticaba na forma natural ou em bebida fermentada que preparavam. A jabuticabeira é uma árvore de grande longevidade, bastante utilizada para fins culinários e medicinais. Apresenta excelente acabamento quando lixada e polida.

jacaranda

(Dalbergia nigra)
Espécie pioneira, é encontrada com frequência em matas degradadas e campos. Madeira moderadamente pesada, muito resistente e de longa durabilidade natural, é própria para mobiliário de luxo, sendo mundialmente famoso seu emprego na construção de pianos. Com folhagem delicada e a forma aberta de sua copa, é muito utilizada também para paisagismo.

(Machaerium hirtum)
Também conhecida como jacarandá de espinho, é nativa do Brasil e encontrada do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul. Madeira vibrante, com grande reserva de corantes, apresenta suaves listras violáceas, em contraste com incidências castanhas. Árvore pioneira e rústica, de médio porte, é própria para marcenaria. Adequada também à recomposição de matas devido a sua fácil propagação.

jatoba

(Hymenaea L.)
Também chamada de jataí, jutaí ou pão-de-ló-de-mico. Encontrada em toda a América Latina, com ampla diversidade da espécie na Floresta Amazônica. Há registro de exemplares com altura de até 40 metros e diâmetro superior a três metros. Conhecida em inglês como brazilian-cherry, a madeira do jatobá integra o grupo das dez mais valiosas madeiras do mundo.

louro

(Ocotea spp)
Chamada também de louro-canela, louro-cedro, louro-ferro, louro-pemba, louro-sabão ou louro-sabiá, é frequente nas matas periodicamente inundáveis da Amazônia. Tem cerne marron-amarelado ou marrom-muito-pálido, de textura média e moderadamente dura, resistente ao corte transversal manual. Excelente para se trabalhar com ferramentas manuais e mecânicas.

macaranduba

(Manilkara salzmanni)
Conhecida também como caxeta ou cambiira, é mais frequente no Suriname, nas Guianas e no norte do Brasil. Madeira de lei pesada, de textura média e dura ao corte, é moderadamente difícil de se trabalhar. Cerne castanho escuro avermelhado ou castanho escuro, é muito empregada em peças mais delicadas, como arcos de violino e canetas torneadas.

manite

(Brosimium cf. alicastrum ssp)
Encontrada no Brasil, principalmente no estado do Acre, é uma madeira com pouca densidade e muito utilizada na construção civil.

maracatiara

(Astronium lecointei Ducke)
Popularmente conhecida como aroeira, gonçaleiro, muiraquatiara ou sanguessugueira, é originária do norte do Brasil. Cerne variável do bege-rosado ao castanho-escuro-avermelhado, com estrias mais escuras e brilho moderado. Dura ao corte, textura média e fácil de ser trabalhada, oferecendo excelente acabamento.

mogno

(Swietenia macrophylla)
Nativa da Amazônia, tem aspecto castanho-avermelhado brilhante e chama atenção por sua beleza. Tem bom uso na produção de guitarras e violões, pelo timbre e ressonância sonora. É utilizada na confecção de canetas torneadas, apresentando excelente acabamento quando lixada e polida.

oliveira

(Olea europaea L.)
Nativa da parte oriental do mar Mediterrâneo e do norte do Irã. No Brasil o mais antigo registro de plantio de oliveiras é de 1800, quando os imigrantes açorianos trouxeram as primeiras mudas que foram plantadas e cultivadas com sucesso no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. A madeira é rica, com anéis cinzento-esverdeados. É bastante utilizada por artesãos na confecção de canetas torneadas, apresentando excelente acabamento quando lixada e polida.

paubrasil

(Caesalpinia echinata)
Também chamada de arabutã, ibirapitanga, pau-de-tinta ou pau-pernambuco, é nativa da mata atlântica brasileira. A espécie encontrada no Brasil tinha tanta qualidade que passou a ser moeda valiosa no comércio europeu a partir do século XVI. Com a extração da madeira avermelhada e da resina para a indústria têxtil e marcenaria, se deu uma rápida e devastadora “caça” ao pau-brasil. Em menos de um século, já não havia árvores suficientes para suprir a demanda e a espécie entrou em risco de extinção.
Com a ameaça de extinção, diversas iniciativas ajudaram a reproduzir o pau-brasil, árvore símbolo do país, a partir da semente para uso em projetos de recuperação florestal. Hoje, a madeira do pau-brasil é uma das mais valiosas do mundo. Seu uso, dadas a escassez e a proteção, restringe-se ao fabrico de arcos de violinos, canetas e joias.

pauferro

(Machaerium scleroxylon)
Também conhecida como Cabiúna e Jacarandá-da-Caatinga, é nativa da mata atlântica, sendo encontrada do sudeste ao nordeste do Brasil. Com cerne negro violeta e veios pronunciadas, sua madeira é dura, densa e de excelente qualidade para a fabricação de violões e violinos. Apresenta excelente acabamento quando lixada e polida.

pereiro

(Aspidosperma pyrifolium)
Árvore nativa da caatinga nordestina. Acredita-se que seu nome vem da semelhança com a folhagem da pereira, que produz a pêra. Casca de sabor amargo, lisa, acinzentada, com lenticelas brancas quando jovem e rugosa quando idosa. Madeira de cor amarelo-clara ou creme, com manchas avermelhadas ou faixas acastanhadas. Moderadamente pesada, macia e fácil de trabalhar, de textura fina e uniforme, resistente e muito durável.

peroba_rosa

(Aspidosperma polyneuron)
Chamada também de amargosa, rajada, açú, paulista ou mirim. Pode atingir até 30 m de altura, com copa globosa e densa. Madeira moderadamente pesada, dura, compacta, com superfície opaca e áspera e muito durável. Ornamental, pode ser usada em paisagismo e é útil para recomposição de áreas degradadas.

roxinho

(Peltogyne lecointei Duckei)
Chamada também de pau-roxo, coataquiçaua, guarabu, violeta ou amarante, é comum no Pará, Maranhão e outros estados da região nordeste. Madeira pesada, de cor roxa, com textura de fina a média, sua trabalhabilidade é difícil devido à alta impermeabilidade do cerne. De fácil aplainamento, torneamento, furação e lixamento, apresenta excelente acabamento.

sucupira

(Pterodon emarginatus Vogel)
A madeira resistente e as exuberantes flores roxas são alguns dos traços mais característicos dessa árvore nativa do Brasil. Comum nas regiões do Cerrado e da Caatinga, tem de cor amarelo-parda, é pesada, dura e de alta resistência. O óleo do fruto é usado na medicina popular no combate à inflamação da garganta, reumatismo e diabetes. Utilizada na confecção de canetas torneadas, apresenta excelente acabamento quando lixada e polida.

tamarindo

Tem origem africana e cresce naturalmente em clima tropical e subtropical. A madeira tem cerne de excelente qualidade, de cor rosada a castanho avermelhado escuro. A polpa do tamarindo é utilizada como especiaria e tempero em diversas receitas. Apresenta excelente acabamento quando lixada e polida.

Taruma

(Vitex polygama)
Chamada também de Maria-Preta, Marianeira ou Velame-do-Campo, é conhecida como azeitona do mato e tem nome de origem Tupi-guarani que significa “fruta escura de fazer vinho”. Espécie pioneira, com madeira muito valorizada, é moderadamente pesada, resistente e relativamente durável.

tauari

(Couratari oblongifolia Ducke)
Denominada também por imbirema, tauari-amarelo ou estopeiro, é encontrada nas matas de terra firme do norte brasileiro, nas Guianas e Suriname. Árvore de grande porte, tronco retilíneo e de cor avermelhada. Madeira moderadamente pesada, de cerne variando de branco-amarelado a marrom-amarelado-claro, tem textura média e trabalhabilidade fácil.

umburana

(Amburana cearenses)
Originária da caatinga, também é chamada de Imburana de Cheiro, cerejeira-rajada, conduru ou cumaré. É usada há séculos pela população cabocla, no trato de problemas pulmonares. Árvore resinosa, com ramos tortuosos, dotada de espinhos agudos e fortes. Casca do tronco lisa, que se desprende em lâminas finas, muito irregulares, variando de cor, conforme a idade.

vinhatico

(Platymenia foliolosa)
Espécie pioneira, também chamada de pau de candeia, pode atingir 30 m de altura, com tronco bastante áspero e descamante. Madeira leve, dura, fácil de trabalhar e de longa durabilidade natural. A árvore é exuberante, bastante ornamental e pode ser empregada com sucesso no paisagismo em geral. Espécie muito procurada comercialmente pela qualidade da madeira. Sua cor amarelo ouro confere beleza à peça e apresenta excelente acabamento quando lixada e polida.