A arte da escrita à mão

“Ah, o prazer de escrever com as próprias mãos. A alquimia das sílabas formando no papel um caleidoscópio de intenções…
Na passarela das linhas desfilam um vale de verbos e um bosque de adjetivos.

Ah, o doce mistério das palavras escritas pelo coração. E a letra? Uma identidade, uma digital eternizada.
Por tudo, simplesmente…

Preserve a escrita a mão !”

Soraya Mesquita, jornalista / roteirista

A caligrafia é uma arte que atravessa civilizações. Ela surge da necessidade humana de se comunicar, seja por meio da memória grafada em pedra, papiro ou papel. A difusão dessa forma artesanal de comunicação se dá a partir do século II d.C., com a popularização dos pergaminhos. Nos tempos mais remotos, uma letra elegante dava ao cidadão o status de distinto, fino e inteligente. Ainda hoje, a letra bonita expressa orgulho, cuidado, admiração e desejo.

No mundo dos bites e da comunicação abreviada a poucos caracteres, o encontro com as palavras e a criação de significados são prazeres insubstituíveis. A tecnologia tornou mais rápida a comunicação e teve a ousadia de interferir na qualidade de como se diz o que vê e o que se sente. Mas, como é prazerosa a sensação de entrega quando se usa uma caneta. A arte de escrever nos ensina a controlar nossas mãos, nos revela e nos distingue.

Com a mão segurando a pena, pode-se brincar com as palavras, que esculpe a dinâmica da caligrafia; no torno do vocabulário, que destila versos, escreve cartas, assina verdades e mentiras, atesta compromissos, concretiza sonhos. Não seria diferente com canetas e lápis, que traduzem em letras e riscos, declarações e percepções do que nos cerca, que marcam celebrações e conquistas.

Marcenaria Artesanal

“Faço minhas peças de acordo com o que cada bloco de madeira pode me dar. É o equilíbrio entre o fazer, o querer e o realizar.”
Mestre Pedrocas, Artesão / AL

O ofício de marceneiro é uma profissão milenar. Alguns afirmam ser a mais antiga do mundo; pano de fundo, inclusive, em diversas passagens bíblicas. É também uma das mais utilizadas em todo o planeta, até os dias de hoje. Mesmo com as novas tecnologias e equipamentos, não se pode tirar o charme do artesanal e a sofisticada simplicidade da arte da marcenaria.

A desempenadeira, o formão, a tupia, a serra, a goiva são ferramentas que ajudam o marceneiro neste esculpir da madeira. Um trabalho que exige cuidado, concentração, conhecimento, precisão e, acima de tudo, criatividade. Para o marceneiro que produz arte, cada peça sempre será exclusiva aos seus olhos.

Na tornearia, a exatidão e a precisão são exigidas do artesão em cada movimento. É preciso uma boa dose de experiência e confiança para dominar o giro do eixo, enquanto as mãos do artesão moldam formas torneadas que inspiram o desejo do belo.